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Doce, mas firme como rapadura

Por Serta
27/03/2026 | 12h:06

Filha de pescadores e neta de agricultores, Taciana constrói sua trajetória entre a comunidade do Poço da Cruz, a agroecologia e os caminhos que escolheu seguir.

Taciana Vieira é dessas mulheres que chegam com presença. Forte, decidida, mas com uma doçura que atravessa tudo, como uma rapadura: é doce, mas não é mole não.

Aos 29 anos, carrega no jeito de falar e de viver as marcas de uma história construída com fé, trabalho e pertencimento. Nascida e criada em Ibimirim, é de lá que vem sua base, mesmo quando a vida a levou por outros caminhos.

“Quando perguntam de onde eu sou, eu digo: sou da comunidade Poço da Cruz”, afirma, com a firmeza de quem sabe que lugar não é só onde se mora, mas de onde se cria raiz.

Filha de pescadores e neta de agricultores, Taciana cresceu entre águas e terras. Parte da infância foi vivida em Itacuruba, às margens do Rio São Francisco, acompanhando o trabalho do pai. Mas foi no Poço da Cruz que viveu o que chama de uma infância feliz.

Brincar, correr, ter amigos, ocupar o tempo com o que toda criança merece: viver.

Há memórias que não se apagam, e há ensinamentos que ficam. Dentro de casa, aprendeu cedo sobre responsabilidade, trabalho e, principalmente, fé. Uma fé que não é discurso, mas prática diária. Que orienta e fortalece.

“Minha fé é o que me sustenta todos os dias”, ela diz.

A mãe e a avó são suas maiores referências. Mulheres que, com pouco, fizeram muito. Que criaram, cuidaram, resistiram. Que ensinaram, pelo exemplo, que seguir em frente nem sempre é escolha, às vezes, é necessidade.

“São mulheres guerreiras, de muita fé, que sempre enfrentaram tudo com coragem e dignidade”, conta.

Como filha mais velha, Taciana cresceu observando de perto essa força. E, sem perceber, foi aprendendo a ser também.

O encontro com o SERTA veio depois, já no momento de concluir o ensino médio. Mesmo sendo da região, ela ainda não conhecia de perto a metodologia. Mas bastou chegar para se reconhecer.

Entrou como estudante do curso técnico em agroecologia e, dentro do próprio processo, começou a trilhar seu caminho. Foi bolsista, atuou como auxiliar administrativa, acompanhou projetos, esteve no campo, experimentando, aos poucos, diferentes formas de atuação.

Quando o curso terminou, ficou.

E continua até hoje.

A agroecologia, que chegou através do SERTA, também atravessou sua vida para além do trabalho. Foi ela quem começou a levar esse olhar para dentro de casa, dialogando com a família, mostrando outros caminhos possíveis.

Um movimento silencioso, mas potente.

Hoje, casada, segue construindo seus sonhos. Quer ser concursada. Quer ser mãe. Quer construir uma vida com estabilidade, mas sem abrir mão do que acredita.

E tem um sonho que sempre volta nas conversas: ter seu próprio pedaço de terra.

“Nosso sonho é ter um sítio, morar mais afastado, construir nosso espaço”, conta.

Um desejo que não é só sobre moradia. É sobre continuidade. Sobre voltar, ou talvez nunca ter saído.

Taciana segue assim: entre o que veio antes e o que ainda quer construir. Com medo, às vezes. Com dúvidas. Mas com fé.

“Morro de medo de não conseguir realizar meus sonhos… mas sigo firme, acreditando que tudo tem um propósito”, diz.

E segue mesmo.

Porque, como ela mesma é: doce, mas firme.
Como rapadura.

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