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Grupo de Saúde Condor e Cabo Gato: uma história de cuidado que floresce na comunidade

Por Serta
06/08/2026 | 11h:52
Dona Vilma, colaboradora do Grupo de Saúde

Há cerca de 40 anos, muito antes de a agroecologia urbana ganhar espaço nas discussões sobre cidades sustentáveis, moradores das comunidades do Condor e Cabo Gato, no bairro de Peixinhos, em Olinda, já se organizavam para cuidar da saúde coletiva. O que começou como um movimento comunitário impulsionado pelas Comunidades Eclesiais de Base a partir de Dom Helder Câmara, transformou-se em uma referência de organização popular, medicina tradicional e valorização dos saberes ancestrais.

Ao longo dos anos, o Grupo de Saúde Condor e Cabo Gato ampliou sua atuação. Além do combate a problemas de saúde pública, como a filariose, passou a promover ações de educação em saúde, cultivo de plantas medicinais, produção de remédios fitoterápicos e mobilização comunitária em defesa de melhores condições de vida. A medicina popular, construída a partir dos conhecimentos transmitidos entre gerações, tornou-se a identidade do grupo.

Foi nesse contexto que Arlindo Cavalcante de Queiroz passou a integrar o coletivo. Há quase uma década, ele contribui para fortalecer o trabalho desenvolvido na comunidade, articulando parcerias, promovendo intercâmbios e ampliando o alcance das ações.

Seu Arlindo Cavalcante, colaborador do Grupo de Saúde

Segundo ele, preservar os conhecimentos das pessoas mais velhas é uma das maiores missões do grupo.

“Como nós trabalhamos com saberes tradicionais, geralmente são as mulheres. Tem homens também, mas a grande maioria são as mulheres e mulheres idosas que ainda mantêm isso. Está se perdendo, mas a gente tem que manter essa chama acesa.”

Hoje, o Grupo de Saúde mantém uma Farmácia Viva, produz mudas de plantas medicinais, realiza oficinas, encontros comunitários e produz fitoterápicos, como pomadas, tinturas e lambedores, comercializados a preço de custo para garantir a continuidade das atividades. O trabalho também dialoga com escolas, universidades, feiras agroecológicas e movimentos sociais, fortalecendo uma rede que une ciência, tradição e participação popular.

Manutenção da Farmácia Viva na sede do Grupo de Saúde

Quando o cuidado encontrou a agroecologia

Foi da vontade de fortalecer esse trabalho que nasceu a parceria com o SERTA.

A aproximação aconteceu inicialmente para que estudantes da instituição colaborassem na preparação dos espaços de cultivo e no uso de tecnologias agroecológicas. Mas a troca de experiências revelou um potencial ainda maior: construir um projeto voltado às pessoas idosas da comunidade, reconhecendo nelas as principais guardiãs dos saberes sobre plantas medicinais.

“Surgiu a ideia, a partir de uma visita que nós fizemos ao SERTA, de construir um projeto que tivesse esse campo de atuação para as pessoas idosas. Nasceu aí a ideia do projeto Florescer na Boa Idade, justamente com a proposta de fazer com que chegasse aos domicílios o cultivo das plantas medicinais.”

A parceria deu origem ao Projeto Florescer na Boa Idade, que está implantando quintais produtivos agroecológicos nas casas das pessoas idosas, ampliando o acesso a alimentos saudáveis e plantas medicinais e fortalecendo a autonomia dessas famílias.

Hoje, aproximadamente 200 hortas domiciliares fazem parte dessa rede construída coletivamente. Além de produzir hortaliças e ervas medicinais, os quintais se tornaram espaços de encontro, aprendizado e valorização das trajetórias de vida das pessoas idosas.

Para Arlindo, o impacto vai muito além da produção.

“O Florescer na Boa Idade é muito bom porque ele cuida também da culinária, da nutrição, da saúde mental, da ação corporal, do movimento. O projeto acaba criando esses espaços, essas rodas de conversa, essas oficinas, para que elas também tratem da sua saúde mental e aprendam a usar a produção das hortas na sua própria alimentação, criando uma alimentação mais saudável.”

Ao unir agroecologia, saúde, educação popular e participação comunitária, o Grupo de Saúde Condor e Cabo Gato e o SERTA mostram que cultivar um quintal é também cultivar memória, autonomia e vínculos. Uma parceria construída a muitas mãos, onde os saberes das pessoas idosas continuam vivos e seguem florescendo nas comunidades de Peixinhos.

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